Fénix
Ribombem as hostes ao vento que pela montanha descende, a Fénix adormecida nos séculos de lava, renasce! Águia acutilante no seu pio de asas abertas. Águia que fere o tempo das palavras desmembradas. Águia de bico aguçado imberbe.
Luz, na alvorada disfarçada por um telhado que desfere o horizonte em retalhos de sombras incertas. Serve este renascer pela memória ainda não construída, para que do fogo se purifiquem os sons crepitantes dos dedos encostados nas guitarras. O fogo transformará as chamas em cinzas e delas as palavras renascerão, sujas, imundas, como os olhos de lascívia que as percorrem. Esses vossos olhos que tudo pesam na balança do julgamento discernido.
A Fénix renasce no turbilhão da pele arrepiada, arrependa-se o carrasco que lhe levou a chama num dia que o já não é. Sobraram vestígios, ficarão golpes de garras entesadas nos membros de orgulhos vítreos. Na verdade, é apenas fogo que se consome no ritmo da pena. Quando acabar de novo o tempo deste voo, sucumbirão penas nos lábios cerrados e os sons, ecoarão livres nas montanhas do amanhecer.
Serve este pio poético -ainda enfraquecido -, para que dele, sejam as mais puras melodias a serem ouvidas. Atentai-vos a cada canto soltado ao vento. As vozes querem-se duras como as rochas atiradas no monocórdio dos palcos vazios. E ressaltam, ressaltam, marcando os fios de água abandonados no escuro dos corpos cansados. Há uma luz apagada e o calor ainda emana, a noite alongou-se nas vozes agora cansadas, os corpos cedem lugar ao vazio, um último pio nos olhos abertos.
E renasço.
Luz, na alvorada disfarçada por um telhado que desfere o horizonte em retalhos de sombras incertas. Serve este renascer pela memória ainda não construída, para que do fogo se purifiquem os sons crepitantes dos dedos encostados nas guitarras. O fogo transformará as chamas em cinzas e delas as palavras renascerão, sujas, imundas, como os olhos de lascívia que as percorrem. Esses vossos olhos que tudo pesam na balança do julgamento discernido.
A Fénix renasce no turbilhão da pele arrepiada, arrependa-se o carrasco que lhe levou a chama num dia que o já não é. Sobraram vestígios, ficarão golpes de garras entesadas nos membros de orgulhos vítreos. Na verdade, é apenas fogo que se consome no ritmo da pena. Quando acabar de novo o tempo deste voo, sucumbirão penas nos lábios cerrados e os sons, ecoarão livres nas montanhas do amanhecer.
Serve este pio poético -ainda enfraquecido -, para que dele, sejam as mais puras melodias a serem ouvidas. Atentai-vos a cada canto soltado ao vento. As vozes querem-se duras como as rochas atiradas no monocórdio dos palcos vazios. E ressaltam, ressaltam, marcando os fios de água abandonados no escuro dos corpos cansados. Há uma luz apagada e o calor ainda emana, a noite alongou-se nas vozes agora cansadas, os corpos cedem lugar ao vazio, um último pio nos olhos abertos.
E renasço.


10 Comentários:
Quando as palavras renascem "sujas" e "imundas", só pode vir coisa boa. :)
Parabéns por este renascimento.
Cheers,
Eu estava a ironizar algo, acho que não fui bem sucedida.
:(
Obrigado pela tua passagem no meu recanto :)
fónix...
Gostei.
Confesso que também não percebi a ironia. Mas de tudo o que já li teu, por aqui, este texto é diferente. Talvez esteja aí a ironia. As tuas palavras costumam ser mais como dentes cravados no real até fazer sangue... mas, como tudo o que escreves, é bom. Muito bom.
Encontrei as tuas palavras num acaso mas não pude ficar indiferente. Espero que permitas esta intromissão. Bem como todas as minhas futuras.
Belo texto.
Beijinhos.
P. S. Andas meio out... está tudo bem?
This will astonish you!
Please see before you judge!
ZEITGEIST: ADDENDUM
http://www.zeitgeistmovie.com/
Money as debt
http://www.youtube.com/watch?v=vVkFb26u9g8
project camelot magnetic motor
http://www.youtube.com/watch?v=hkgyY47duCM
Importante please pass forward
Feliz Natal e Boas Festas!
Abraço!
Votos de um excelente ano!
Blood Kisses
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